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domingo, 26 de abril de 2015

Oxum a Luz da Cabala | Tenda de Umbanda Pai Joaquim de Angola e Caboclo Tupynambá

Oxum a Luz da Cabala | Tenda de Umbanda Pai Joaquim de Angola e Caboclo Tupynambá







Perante Obatalá, Ogum havia condenado a si mesmo a trabalhar duro na forja para sempre. Mas ele estava cansado da cidade e da sua profissão.  Queria voltar a viver na floresta, voltar a ser o livre caçador que fora antes .

Ogum achava-se muito poderoso, Sentia que nenhum Orixá poderia obrigá-lo a fazer o que não quisesse. Ogum estava cansado do trabalho de ferreiro e partiu para a floresta, abandonando tudo.
Logo que os Orixás souberam da fuga de Ogum, foram a seu encalço para convencê-lo a voltar à cidade e à forja, pois ninguém podia ficar sem os artigos de ferro de Ogum,
as armas, os utensílios, as ferramentas agrícolas. Mas Ogum não ouvia ninguém, queria ficar no mato. Simplesmente os enxotava da floresta com violência.
Todos lá foram, menos Xangô.
E como estava previsto, sem os ferros de Ogum, o mundo começou a ir mal.  Sem instrumentos para plantar, as colheitas escasseavam e a humanidade já passava fome.
Foi quando uma bela e frágil jovem veio à assembléia dos Orixás e ofereceu-se para convencer Ogum a voltar à forja.
Era Oxum a bela e jovem voluntária. Os outros Orixás escarneceram dela . . . tão jovem, tão bela, tão frágil.  Ela seria escorraçada por Ogum e até temiam por ela, pois Ogum era violento, poderia machucá-la, até matá-la.
Mas Oxum insistiu, disse que tinha poderes de que os demais nem suspeitavam. Obatalá, que tudo escutava mudo, levantou a mão e impôs silêncio. Oxum o convencera, ela podia ir à floresta e tentar. Assim, Oxum entrou na mata.
E se aproximou do sítio onde Ogum costumava acampar. Usava ela tão somente cinco lenços transparentes presos a cintura em laços, como esvoaçante saia.
Os cabelos soltos, os pés descalços, Oxum dançava como o vento e seu corpo desprendia um perfume arrebatador.
Ogum foi imediatamente atraído, irremediavelmente conquistado pela visão maravilhosa, mas se manteve distante.  Ficou à espreita atrás dos arbustos, absorto.
De lá admirava Oxum, embevecido.  Oxum o via, mas fazia de conta que não.  O tempo todo ela dançava e se aproximava dele mas fingia sempre que não dera por sua presença.
A dança e o vento faziam flutuar os cinco lenços da cintura, deixando ver por segundos a carne irresistível de Oxum.  Ela dançava, enlouquecia. Dele se aproximava e com seus dedos sedutores lambuzava de mel os lábios de Ogum.
Ele estava como que em transe. E ela o atraía para si e ia caminhando pela mata, sutilmente tomando a direção da cidade.  Mais dançava, mais mel, mais sedução,
Ogum não se dava conta do estratagema da dançarina.
Ela ia na frente, ele a acompanhava inebriado.
Quando Ogum se deu conta, eis que se encontravam ambos na praça da cidade.
Os Orixás todos estavam lá e aclamavam o casal em sua dança de amor.
Ogum estava na cidade, Ogum voltara!
Temendo ser tomado como fraco, enganado pela sedução de uma mulher bonita,
Ogum deu a entender que voltara por gosto e por vontade própria.
E nunca mais abandonaria a cidade. E nunca mais abandonaria a sua forja.
E os Orixás aplaudiam e aplaudiam a dança de Oxum.
Ogum voltou à forja e os homens voltaram a usar seus utensílios e houve plantações e colheitas e a fartura baniu a fome e espantou a morte. (3)

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